O poder corrompe os homens, e a política é uma fonte financeira, de
grandes poderes e privilégios. A ética na política é uma utopia,
porque concede ao homem a possibilidade de governar o seu povo. As
disputas pelo poder entre os próprios detentores deste constitui a
raiz das atitudes antiéticas.
Diz-se que o povo detém o grande poder, definido pelo voto.
Entretanto, a própria população é manipulada pelo poder político. As
pessoas sempre foram manipuladas por seus governantes. Na ditadura,
controlava-se o povo pelo medo. Em uma república democrática, como o
Brasil, controla-se o povo pela ignorância. Alguém que não conhece os
seus direitos e obrigações, não os exerce.
O único meio de levarmos a população brasileira a exercer seus
direitos efetivamente e conhecer os métodos que possui para
reivindicá-los, seria a introdução dos conteúdos referentes à
legislação federal no currículo escolar. Mas é claro que essa medida
não será cogitada pelos nossos parlamentares. Porque isso daria ao
povo o instrumento mais poderoso que pode possuir a espécie humana, o
conhecimento.
A maior parte dos atos cometidos pelos políticos não se caracteriza
como antiético, mas como crime. Ainda falamos em ética na política,
quando se deveria falar em punição. Enquanto não pudermos escolher
nossas próprias leis, ao invés de escolher nossos legisladores, os
"criminosos de gravata e colarinho branco" continuarão a cometer
crimes contra a sociedade. Enquanto os políticos forem
super-protegidos por esta constituição federal, que lhes concede
privilégios e cujos autores são eles próprios, jamais haverá a ética
nesse meio, quanto mais a moral e a licitude.
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