domingo, 29 de abril de 2012

PROJETO GENOMA

Há várias décadas, o DNA humano vem sendo estudado pelos
norte-americanos, afim de decodificá-lo e corrigi-lo. A partir do
Projeto Genoma, foram criados inúmeros medicamentos novos, baseados
nas descobertas das proteínas que codificam doenças genéticas. Em oposição a isso, o filme
Gattaca, nos alerta para uma possível sociedade futurista, onde aqueles
que foram concebidos pelo processo artificial de programação gênica
são considerados válidos, enquanto que, as pessoas geradas pelo método
natural de crossing over são tidos como inválidos e propensos a
desenvolverem doenças.
O Projeto Genoma nos trás à discussão dois aspectos. De um lado, há
os avanços médicos obtidos a partir das pesquisas, e por outro, a
idéia de programação genética em humanos. O primeiro aspecto é
positivo, me coloco a favor de toda a pesquisa que desenvolva novas
formas de se melhorar a qualidade de vida de pacientes portadores de
qualquer tipo de síndrome. Porém, a possibilidade de, no futuro, estas
informações serem usadas para criar seres artificiais, tecnicamente
perfeitos, me parece uma perda de tempo.
Quando falo perda de tempo, me refiro ao fato de que, nós podemos
criar um ser perfeito no seu genótipo, mas, com o passar dos anos, ele
desenvolverá um fenótipo imprevisível. Pode-se determinar os genes de
uma pessoa, mas não se pode determinar o seu caráter, as suas
preferências e nem mesmo as doenças que ela virá a desenvolver. Um ser
sem propensão à obesidade, por exemplo, que levar uma vida sedentária
e tiver maus hábitos alimentares, certamente se tornará obeso. Ao
passo que, muitas pessoas, com predisposição à obesidade, não a
desenvolvem, por terem um estilo de vida saudável. Além disso, não
podemos imunizar as pessoas de sofrerem acidentes e ficarem com
seqüelas graves.
Não questiono a provável discriminação que se criaria, pois
acredito que a discriminação sempre existirá, pelos mais diversos
motivos, e este seria apenas mais um. O que não impediria que os seres
perfeitos do futuro sofressem preconceitos por outros tipos de
julgamentos sociais como a condição financeira, os gostos pessoais
etc.
Defenderia a programação gênica, se esta fosse realizada apenas em
casos onde os pais fossem portadores de síndromes e não quisessem
transmiti-las aos seus filhos. Mas, usar a reprogramação para
correções banais como a propensão a qualquer coisa que seja, considero
desnecessária. Eu não acredito neste Deus em que a grande maioria das
pessoas crê, mas acho que os humanos estão querendo corrigir a obra
daquele que acreditam ser o seu criador. Ao invés de desenvolverem a
sociedade, para que esta seja capaz de lidar com seus problemas, estão
querendo criar uma sociedade sem problemas. E isto é impossível.
Por isso não sou contra, apenas acho uma verdadeira perda de tempo.
Nós jamais seremos capazes de determinar o futuro, mas se eles querem
perder seu tempo com isso, ao invés de tentarem evoluir a partir das
dificuldades impostas pelo ciclo natural da vida... Deixemo-los com
suas pesquisas inúteis.

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