A ética é o conceito de certo e errado intrínseco em cada um de
nós. Enquanto que, a moral, é ditada pela sociedade ou grupo social no
qual estamos inseridos. A ética e a moral, estão mais relacionadas aos
seres humanos e suas regras. Já a bioética procura discutir e defender
os direitos de todos os seres vivos.
A ética, se traduzida em mandamentos, como os encontrados em
algumas religiões e sociedades antigas, nos renderia um manual
gigantesco. Cada situação nos impõe uma conduta ética diversa. Por
vezes, devemos ser verdadeiros, em outras, precisamos ocultar a
verdade, para que se evitem desavenças desnecessárias ou a exposição
de outrem.
A frase "Se nenhum mal causares, a ti ou a quem quer que seja, faze
aquilo que deseja", que eu costumava usar na minha assinatura de
e-mail, exprime sinteticamente o conceito de bioética. Mas uma
disciplina da faculdade me fez pensar melhor a respeito, e agora eu
questiono: o que é fazer mal, o que significa prejudicar?
Teoricamente, matar é fazer mal. Nós matamos animais para nos
alimentarmos, então a cadeia alimentar é antiética? Claro que não!
Seria um absurdo considerarmos que as leis da natureza estão erradas,
afinal, delas dependemos para nossa sobrevivência, assim como os seres
ditos irracionais. E, seguindo este conceito sintético, não poderíamos
nos alimentar nem mesmo de vegetais, que também são seres vivos.
Ainda na busca pelo significado de fazer mal, me deparo com aquilo
que há de mais relevante dentro da condição humana, a dor. A título de
exemplo, vale lembrarmos que a capacidade de sentir dor é utilizada
pela ciência para definir o grau de evolução dos seres vivos. Creio
que toda a forma de fazer mal resulte em dor, seja física ou
emocional. Então, o novo conceito de bioética que proponho,não nos
impediria de matar, desde que o fizéssemos de forma indolor. Neste
caso, a frase supra-citada e o novo conceito de bioética seria: "se
nenhuma dor causares, a ti ou a quem quer que seja, faze aquilo que
deseja".
Partindo de meus conceitos filosóficos, eu não poderia concordar
com este novo conceito de bioética que eu mesma proponho. No entanto,
julgo impossível de ser cumprida, uma regra que nos impede de
prejudicar a qualquer ser vivo, sem uma definição exata daquilo que
significa prejudicar. Busco, portanto, um conceito que seja
executável, mesmo que descorde daquilo que acredito. Os conceitos de
certo e errado, ético e antiético, ainda estão carregados de
religiosidade. As pessoas, mesmo as mais científicas, possuem suas
crenças e uma enorme dificuldade de julgar as situações sem levá-las
em consideração. E deste tipo de atitude, eu descordo plenamente.
domingo, 29 de abril de 2012
PROJETO GENOMA
Há várias décadas, o DNA humano vem sendo estudado pelos
norte-americanos, afim de decodificá-lo e corrigi-lo. A partir do
Projeto Genoma, foram criados inúmeros medicamentos novos, baseados
nas descobertas das proteínas que codificam doenças genéticas. Em oposição a isso, o filme
Gattaca, nos alerta para uma possível sociedade futurista, onde aqueles
que foram concebidos pelo processo artificial de programação gênica
são considerados válidos, enquanto que, as pessoas geradas pelo método
natural de crossing over são tidos como inválidos e propensos a
desenvolverem doenças.
O Projeto Genoma nos trás à discussão dois aspectos. De um lado, há
os avanços médicos obtidos a partir das pesquisas, e por outro, a
idéia de programação genética em humanos. O primeiro aspecto é
positivo, me coloco a favor de toda a pesquisa que desenvolva novas
formas de se melhorar a qualidade de vida de pacientes portadores de
qualquer tipo de síndrome. Porém, a possibilidade de, no futuro, estas
informações serem usadas para criar seres artificiais, tecnicamente
perfeitos, me parece uma perda de tempo.
Quando falo perda de tempo, me refiro ao fato de que, nós podemos
criar um ser perfeito no seu genótipo, mas, com o passar dos anos, ele
desenvolverá um fenótipo imprevisível. Pode-se determinar os genes de
uma pessoa, mas não se pode determinar o seu caráter, as suas
preferências e nem mesmo as doenças que ela virá a desenvolver. Um ser
sem propensão à obesidade, por exemplo, que levar uma vida sedentária
e tiver maus hábitos alimentares, certamente se tornará obeso. Ao
passo que, muitas pessoas, com predisposição à obesidade, não a
desenvolvem, por terem um estilo de vida saudável. Além disso, não
podemos imunizar as pessoas de sofrerem acidentes e ficarem com
seqüelas graves.
Não questiono a provável discriminação que se criaria, pois
acredito que a discriminação sempre existirá, pelos mais diversos
motivos, e este seria apenas mais um. O que não impediria que os seres
perfeitos do futuro sofressem preconceitos por outros tipos de
julgamentos sociais como a condição financeira, os gostos pessoais
etc.
Defenderia a programação gênica, se esta fosse realizada apenas em
casos onde os pais fossem portadores de síndromes e não quisessem
transmiti-las aos seus filhos. Mas, usar a reprogramação para
correções banais como a propensão a qualquer coisa que seja, considero
desnecessária. Eu não acredito neste Deus em que a grande maioria das
pessoas crê, mas acho que os humanos estão querendo corrigir a obra
daquele que acreditam ser o seu criador. Ao invés de desenvolverem a
sociedade, para que esta seja capaz de lidar com seus problemas, estão
querendo criar uma sociedade sem problemas. E isto é impossível.
Por isso não sou contra, apenas acho uma verdadeira perda de tempo.
Nós jamais seremos capazes de determinar o futuro, mas se eles querem
perder seu tempo com isso, ao invés de tentarem evoluir a partir das
dificuldades impostas pelo ciclo natural da vida... Deixemo-los com
suas pesquisas inúteis.
norte-americanos, afim de decodificá-lo e corrigi-lo. A partir do
Projeto Genoma, foram criados inúmeros medicamentos novos, baseados
nas descobertas das proteínas que codificam doenças genéticas. Em oposição a isso, o filme
Gattaca, nos alerta para uma possível sociedade futurista, onde aqueles
que foram concebidos pelo processo artificial de programação gênica
são considerados válidos, enquanto que, as pessoas geradas pelo método
natural de crossing over são tidos como inválidos e propensos a
desenvolverem doenças.
O Projeto Genoma nos trás à discussão dois aspectos. De um lado, há
os avanços médicos obtidos a partir das pesquisas, e por outro, a
idéia de programação genética em humanos. O primeiro aspecto é
positivo, me coloco a favor de toda a pesquisa que desenvolva novas
formas de se melhorar a qualidade de vida de pacientes portadores de
qualquer tipo de síndrome. Porém, a possibilidade de, no futuro, estas
informações serem usadas para criar seres artificiais, tecnicamente
perfeitos, me parece uma perda de tempo.
Quando falo perda de tempo, me refiro ao fato de que, nós podemos
criar um ser perfeito no seu genótipo, mas, com o passar dos anos, ele
desenvolverá um fenótipo imprevisível. Pode-se determinar os genes de
uma pessoa, mas não se pode determinar o seu caráter, as suas
preferências e nem mesmo as doenças que ela virá a desenvolver. Um ser
sem propensão à obesidade, por exemplo, que levar uma vida sedentária
e tiver maus hábitos alimentares, certamente se tornará obeso. Ao
passo que, muitas pessoas, com predisposição à obesidade, não a
desenvolvem, por terem um estilo de vida saudável. Além disso, não
podemos imunizar as pessoas de sofrerem acidentes e ficarem com
seqüelas graves.
Não questiono a provável discriminação que se criaria, pois
acredito que a discriminação sempre existirá, pelos mais diversos
motivos, e este seria apenas mais um. O que não impediria que os seres
perfeitos do futuro sofressem preconceitos por outros tipos de
julgamentos sociais como a condição financeira, os gostos pessoais
etc.
Defenderia a programação gênica, se esta fosse realizada apenas em
casos onde os pais fossem portadores de síndromes e não quisessem
transmiti-las aos seus filhos. Mas, usar a reprogramação para
correções banais como a propensão a qualquer coisa que seja, considero
desnecessária. Eu não acredito neste Deus em que a grande maioria das
pessoas crê, mas acho que os humanos estão querendo corrigir a obra
daquele que acreditam ser o seu criador. Ao invés de desenvolverem a
sociedade, para que esta seja capaz de lidar com seus problemas, estão
querendo criar uma sociedade sem problemas. E isto é impossível.
Por isso não sou contra, apenas acho uma verdadeira perda de tempo.
Nós jamais seremos capazes de determinar o futuro, mas se eles querem
perder seu tempo com isso, ao invés de tentarem evoluir a partir das
dificuldades impostas pelo ciclo natural da vida... Deixemo-los com
suas pesquisas inúteis.
ÉTICA E POLÍTICA
O poder corrompe os homens, e a política é uma fonte financeira, de
grandes poderes e privilégios. A ética na política é uma utopia,
porque concede ao homem a possibilidade de governar o seu povo. As
disputas pelo poder entre os próprios detentores deste constitui a
raiz das atitudes antiéticas.
Diz-se que o povo detém o grande poder, definido pelo voto.
Entretanto, a própria população é manipulada pelo poder político. As
pessoas sempre foram manipuladas por seus governantes. Na ditadura,
controlava-se o povo pelo medo. Em uma república democrática, como o
Brasil, controla-se o povo pela ignorância. Alguém que não conhece os
seus direitos e obrigações, não os exerce.
O único meio de levarmos a população brasileira a exercer seus
direitos efetivamente e conhecer os métodos que possui para
reivindicá-los, seria a introdução dos conteúdos referentes à
legislação federal no currículo escolar. Mas é claro que essa medida
não será cogitada pelos nossos parlamentares. Porque isso daria ao
povo o instrumento mais poderoso que pode possuir a espécie humana, o
conhecimento.
A maior parte dos atos cometidos pelos políticos não se caracteriza
como antiético, mas como crime. Ainda falamos em ética na política,
quando se deveria falar em punição. Enquanto não pudermos escolher
nossas próprias leis, ao invés de escolher nossos legisladores, os
"criminosos de gravata e colarinho branco" continuarão a cometer
crimes contra a sociedade. Enquanto os políticos forem
super-protegidos por esta constituição federal, que lhes concede
privilégios e cujos autores são eles próprios, jamais haverá a ética
nesse meio, quanto mais a moral e a licitude.
grandes poderes e privilégios. A ética na política é uma utopia,
porque concede ao homem a possibilidade de governar o seu povo. As
disputas pelo poder entre os próprios detentores deste constitui a
raiz das atitudes antiéticas.
Diz-se que o povo detém o grande poder, definido pelo voto.
Entretanto, a própria população é manipulada pelo poder político. As
pessoas sempre foram manipuladas por seus governantes. Na ditadura,
controlava-se o povo pelo medo. Em uma república democrática, como o
Brasil, controla-se o povo pela ignorância. Alguém que não conhece os
seus direitos e obrigações, não os exerce.
O único meio de levarmos a população brasileira a exercer seus
direitos efetivamente e conhecer os métodos que possui para
reivindicá-los, seria a introdução dos conteúdos referentes à
legislação federal no currículo escolar. Mas é claro que essa medida
não será cogitada pelos nossos parlamentares. Porque isso daria ao
povo o instrumento mais poderoso que pode possuir a espécie humana, o
conhecimento.
A maior parte dos atos cometidos pelos políticos não se caracteriza
como antiético, mas como crime. Ainda falamos em ética na política,
quando se deveria falar em punição. Enquanto não pudermos escolher
nossas próprias leis, ao invés de escolher nossos legisladores, os
"criminosos de gravata e colarinho branco" continuarão a cometer
crimes contra a sociedade. Enquanto os políticos forem
super-protegidos por esta constituição federal, que lhes concede
privilégios e cujos autores são eles próprios, jamais haverá a ética
nesse meio, quanto mais a moral e a licitude.
EUTANÁSIA
Tomar uma postura diante de um assunto delicado como a eutanásia,
passa por questões filosóficas que, mesmo tendo sido feitas durante
milênios, continuam sem uma resposta plausível. Cada corrente
ideológica define o início e o fim da vida de acordo com seus próprios
conceitos. No entanto, nem mesmo a ciência pôde afirmar, de forma
definitiva, até hoje, onde se inicia e onde se termina a vida.
A eutanásia nos incita questões ainda mais profundas que estas. O
que é estar vivo? Sabemos, agora falando como estudante da saúde,
quais são os sinais vitais, que nos indicam o estado de vida ou morte
do corpo. Mas os seres humanos não se resumem a corpos, vivos ou
mortos. A capacidade que nos diferencia dos outros seres vivos não é a
respiração ou qualquer outro fenômeno fisiológico. O que nos torna
diferentes, ou que nos caracteriza fundamentalmente, é a capacidade de
rasciocinar.
Partindo deste princípio, poderíamos então dizer que estar vivo
significa estar em pleno uso de nossas faculdades mentais? Isso
excluiria do grupo dos vivos, todos aqueles que são incapazes ou
parcialmente incapazes de dominar o rasciocínio. Como podemos nós,
estabelecer o que é qualidade de vida, se para alguns inválidos, a
vida ainda é afortunada, e para outros, a vida se torna um castigo e o
corpo imóvel uma prisão?
Como portadora de uma deficiência, não incapacitante, posso afirmar
com toda certeza, que meus maiores problemas na vida, não tiveram
origem em minhas limitações. Ao mesmo tempo, consigo imaginar o quão
humilhante seja viver em um estado de tetraplegia. Condenado à
imobilidade e condenando outras tantas pessoas aos cuidados com um ser
humano imóvel, dependendo de alguém para tudo...
Um caso verídico, bastante interessante, é mostrado no filme "mar a
dentro". O protagonista é um rapaz tetraplégico que perdeu os
movimentos em um acidente no mar. Durante os 28 anos em que ficou
preso à cama, ele lutou pelo direito de morrer. Não obtendo auxílio
através da justiça da Espanha, país onde vivia, teve de contar com a
ajuda de amigos para envenenar-se. Planejou tudo de forma que nenhum
de seus colaboradores pudesse ser condenado pela sua morte.
Consigo entender a mente do personagem e o ajudaria em seu intento.
Não o mataria, de forma alguma... Mas o ajudaria com pequenos gestos,
por uma questão de justiça. Ele cometeria suicídio, de qualquer forma,
se pudesse fazê-lo sozinho. Este caso nem me parece ter relação com a
eutanásia, tendo em vista que ele mesmo decidiu e planejou a própria
morte. Mas o filme levantou um intenso debate a cerca do assunto.
Quanto aos casos em que cabe a terceiros decidir pela vida de
alguém, apesar de um pouco incerta, sou a favor. Não acredito que uma
pessoa, cujas funções fisiológicas sejam mantidas por aparelhos
médicos, ainda esteja viva. Há algumas décadas, quando não se podia
mantê-las vivas por estes métodos, elas morriam... Se não temos o
direito de tirar a vida, será mesmo que temos o direito de manter a
vida, a qualquer custo? Se interferimos na vida ao matar, também não
estamos interferindo na vida ao prolongá-la, quando esta não se mantém
por si só?
passa por questões filosóficas que, mesmo tendo sido feitas durante
milênios, continuam sem uma resposta plausível. Cada corrente
ideológica define o início e o fim da vida de acordo com seus próprios
conceitos. No entanto, nem mesmo a ciência pôde afirmar, de forma
definitiva, até hoje, onde se inicia e onde se termina a vida.
A eutanásia nos incita questões ainda mais profundas que estas. O
que é estar vivo? Sabemos, agora falando como estudante da saúde,
quais são os sinais vitais, que nos indicam o estado de vida ou morte
do corpo. Mas os seres humanos não se resumem a corpos, vivos ou
mortos. A capacidade que nos diferencia dos outros seres vivos não é a
respiração ou qualquer outro fenômeno fisiológico. O que nos torna
diferentes, ou que nos caracteriza fundamentalmente, é a capacidade de
rasciocinar.
Partindo deste princípio, poderíamos então dizer que estar vivo
significa estar em pleno uso de nossas faculdades mentais? Isso
excluiria do grupo dos vivos, todos aqueles que são incapazes ou
parcialmente incapazes de dominar o rasciocínio. Como podemos nós,
estabelecer o que é qualidade de vida, se para alguns inválidos, a
vida ainda é afortunada, e para outros, a vida se torna um castigo e o
corpo imóvel uma prisão?
Como portadora de uma deficiência, não incapacitante, posso afirmar
com toda certeza, que meus maiores problemas na vida, não tiveram
origem em minhas limitações. Ao mesmo tempo, consigo imaginar o quão
humilhante seja viver em um estado de tetraplegia. Condenado à
imobilidade e condenando outras tantas pessoas aos cuidados com um ser
humano imóvel, dependendo de alguém para tudo...
Um caso verídico, bastante interessante, é mostrado no filme "mar a
dentro". O protagonista é um rapaz tetraplégico que perdeu os
movimentos em um acidente no mar. Durante os 28 anos em que ficou
preso à cama, ele lutou pelo direito de morrer. Não obtendo auxílio
através da justiça da Espanha, país onde vivia, teve de contar com a
ajuda de amigos para envenenar-se. Planejou tudo de forma que nenhum
de seus colaboradores pudesse ser condenado pela sua morte.
Consigo entender a mente do personagem e o ajudaria em seu intento.
Não o mataria, de forma alguma... Mas o ajudaria com pequenos gestos,
por uma questão de justiça. Ele cometeria suicídio, de qualquer forma,
se pudesse fazê-lo sozinho. Este caso nem me parece ter relação com a
eutanásia, tendo em vista que ele mesmo decidiu e planejou a própria
morte. Mas o filme levantou um intenso debate a cerca do assunto.
Quanto aos casos em que cabe a terceiros decidir pela vida de
alguém, apesar de um pouco incerta, sou a favor. Não acredito que uma
pessoa, cujas funções fisiológicas sejam mantidas por aparelhos
médicos, ainda esteja viva. Há algumas décadas, quando não se podia
mantê-las vivas por estes métodos, elas morriam... Se não temos o
direito de tirar a vida, será mesmo que temos o direito de manter a
vida, a qualquer custo? Se interferimos na vida ao matar, também não
estamos interferindo na vida ao prolongá-la, quando esta não se mantém
por si só?
Assinar:
Postagens (Atom)